A INFLUÊNCIA DO PARQUE NACIONAL DA TIJUCA NO CLIMA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO. |
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Sabe-se que a altitude e a longitude apresentam influências sobre a temperatura do ar. Quanto mais alto estivermos em relação ao nível do mar, a temperatura ambiente será mais fria, numa proporção de 1 grau C a cada cem metros. Da mesma forma, quanto mais ao norte ou ao sul, em relação à linha do equador, movendo-se em direção ao Polo Norte ou Sul, sentiremos cada vez mais frio.
Mas o que pouco se sabe, é que a cobertura vegetal, sobretudo quando a vegetação se localiza na faixa tropical, apresenta também influência na temperatura do ar. Estudos realizados em Minas Gerais, por exemplo, para examinar o efeito da arborização na temperatura ambiente, demonstraram que nos locais demasiadamente arborizados, as temperaturas eram cerca de 4 graus C mais amenas do que nos locais pouco arborizados. Quem ainda não passou na Rua Jardim Botânico, em frente ao Parque Lage, e percebeu um significativo frescor no ar? É o efeito da vegetação amenizando a temperatura ambiente, que se prolonga para a borda da floresta, alcançando localidades vizinhas.
Portanto, dá para imaginar que a vegetação existente no Maciço da Tijuca, sobretudo no Parque Nacional da Tijuca - que se encontra em ótimo estado de conservação - deve provocar alguma influência no clima local, ou seja, nos bairros localizados nas imediações do maciço. Mas qual será exatamente este efeito? Infelizmente essa é uma pergunta ainda em aberto. Ainda não dispomos de dados científicos sistemáticos, que possam determinar precisamente quantos graus centígrados a cidade, em seus diferentes bairros, tem amenizada a sua temperatura máxima, sobretudo nos dias de verão. Outro fator positivo com relação a presença dessa majestosa cobertura vegetal do maciço, é o efeito da vegetação na filtragem das partículas de poeira e de alguns tipos de poluentes existentes no ar, além de funcionar como um atenuante na poluição sonora.
Mas uma coisa é certa: se não houvesse a floresta, protegida por um Parque Nacional, as temperaturas máximas nos dias de verão seriam muito mais elevadas do que são hoje. Vamos pensar nisso e cuidar das nossas florestas?
Por Philippe Pomier Layragues - Biólogo, especialista em Educação Ambiental, consultor do Parque Nacional da Tijuca. |