PSICOLOGIA NA ESCALADA - DOMINANDO OS PRÓPRIOS MEDOS

É o psicológico que separa os homens (e mulheres) dos garotos neste esporte. Um axioma bem conhecido na escalada é que “grande parte dos maiores feitos resultam mais da superação mental do que da física”.
Disponibilizamos aqui uma série de textos sobre psicologia aplicada à escalada, com dicas e exercícios para melhorar seu estado mental quando estiver na rocha. Boa leitura!

VENCENDO O JOGO PSICOLÓGICO

Eu quero fazer alguma coisa absolutamente no meu limite, onde meu corpo inteiro está gritando de dor, tudo quer cair, mas eu continuo”.
– Jerry Moffatt

Motivação constante é fundamental para atingir o potencial atlético. Com este objetivo, crie incentivos para treinar, mantenha o pensamento positivo enquanto escala e comece com o resultado final esperado em mente. Desta forma você sempre estará motivado.

Estabelecer objetivos detalhados ajudam a estimular suas ações diárias e a longo prazo. Pergunte-se “o que eu posso fazer na próxima hora, dia, semana, mês ou ano para melhorar meu desempenho na escalada?”. Estabeleça objetivos de curto, médio e longo prazos de acordo.

Disciplina é fundamental na busca pela excelência. Procure sempre distinguir o que é importante do que é urgente. Dê preferência a atividades que posturas que o conduzam ao seu objetivo final e apenas ocasionalmente se deleite com festas, comidas e bebidas quando atingir um objetivo de médio prazo.

Confiança é essencial para atingir o seu limite. Sempre se “aclimate” com as condições nas quais você vai atuar. Nada desenvolve melhor a confiança do que já ter estado na dada situação antes. Desta forma, um dos seus objetivos no treinamento deve ser “imitar” ao máximo a atmosfera, situações e o terreno do projeto ou competição para a qual você está se preparando.

A visualização ajuda a pré-programar a realidade do futuro. Use esta técnica diariamente seja na preparação para o treinamento, na escalada ou em qualquer outra atividade importante.

Pratique a visualização com todos os seus sentidos. Trabalhe sua habilidade de criar imagens mentais frescas e claras de pessoas, lugares e eventos;
Imagine as cenas ricas em detalhes. Quanto mais vívidas as imagens, mais poderosos serão os efeitos da visualização no seu desempenho;
Use fotos, croquis, mapa de crux ou vídeos para melhorar a precisão dos “filmes” mentais da sua escalada;
Visualize repetidamente o projeto ou seqüência com a qual você está tendo problema;
Crie e armazene na mente imagens positivas para substituir as imagens, pensamentos e sentimentos negativos;
Crie mentalmente um filme de você mesmo lidando com várias situações e problemas que podem surgir durante uma escalada.

“Rituais” pré-escalada dão origem a desempenhos consistentes. Observe o “ritual” dos jogadores de basquete antes de cada arremesso livre. Estabeleça uma rotina detalhada a ser executada antes da escalada incluindo todas as tarefas preparatórias desde se equipar até o “ensaio” mental da via.

Determine se um medo particular é razoável ou não. Fique sempre atento aos medos razoáveis, mas lute contra os medos não razoáveis. Manter-se relaxado e ter um bom discernimento é um antídoto eficiente contra a maioria dos medos infundados com os quais nos deparamos na rocha. Mantenha o foco no que é mais provável de ocorrer e não na situação de pior caso possível, que é apenas remotamente possível.

Pressão psicológica moderada, e não a ausência completa de pressão, conduz aos melhores desempenhos. Aprenda a canalizar a boa pressão e se livrar da má quando estiver “na cadeira do piloto”. Suas ações e pensamentos nos dias e horas anteriores ao evento (seja uma cadena, campeonato, etc) determinam seu nível de pressão. Use técnicas de relaxamento como antídoto para as pressões negativas.

No mundo da escalada, o termo “foco” significa manter um elevado nível de concentração da energia mental na tarefa mais importante em cada instante dado. O foco melhora a conexão mente-corpo-rocha e, conseqüentemente, as chances de sucesso. Invista algumas semanas para treinar ativamente o foco. Após aproximadamente 10 sessões de treinamento de foco você vai começar a se sentir mais “conectado” com a rocha e mais capaz de manter-se focado no meio das situações mais estressantes. Seu desempenho vai disparar.

Controlar suas emoções enquanto escala significa controlar o seu desempenho final. Divida a escalada em trechos lógicos definidos por posições de descanso. Em cada uma destas posições de descanso efetue a seguinte seqüência:
Respire de maneira ininterrupta: recupere seu ciclo de respiração, concentre-se em uma respiração suave e profunda;
Feição facial positiva: abra um pequeno sorriso independente do seu estado mental. Você vai sentir a diferença imediatamente;
Postura equilibrada: levante a cabeça, mantenha seus ombros relaxados, sua coluna confortavelmente ereta e o abdome livre de tensão;
Onda de relaxamento: faça uma rápida varredura de todos os seus músculos para localizar e eliminar a tensão desnecessária;
Checagem mental: mantenha-se focado, com pensamento positivo e não intimidado pela tarefa a seguir. Então, mande a via!

Use o pensamento positivo para melhorar seu estado mental e suas chances de sucesso. Converse consigo mesmo para espantar o pensamento negativo, relembre suas habilidades e reforce suas qualidades positivas.

Fonte: How to Climb 5.12 (Eric J. Hörst) - Tradução/Resumo: Júlio “Francês”

Será que este escalador adrenado vai ficar desesperado por completo e tomar uma grande queda, ou respirar fundo e pensar racionalmente?

CONHEÇA O MEDO E O DOMINE - DICAS DE PROFISSIONAIS

Você está a 10 metros da sua última parada, seus pés começam a escorregar. Você tenta desesperadamente achar uma pega melhor nas agarras, mas seus dedos começam a suar. Sua habilidade de resolver problemas desaparece, e junto com esta sua capacidade de realizar uma boa escalada, fazendo que qualquer lance fique cada vez mais longo e difícil. O medo começa a passar pela sua cabeça e você começa a segurar cada vez mais forte até seus braços ficarem "bombados". Daí você começa a pensar na sua última costura e percebe que vai cair. Não tem outro jeito. Ou será que há? Aqui vão dicas de grandes nomes do Alpinismo.

Saiba quando recuar:
Se você está tão assustado que o medo está atrapalhando a sua escalada, você não devia estar na via. O grande escalador Peter Croft diz: "Se o medo é algo incontrolável e deixa você desesperado, é sinal de que você deve voltar". Recuar não requer somente a habilidade física de realizar os movimentos inversos (algo bom de se praticar), mas de se ter o discernimento para saber quando o fazer.

Sintonize-se:
Chris McNamara um veterano de realizador de vias A5 no El Cap como Reticent Wall e Wyoming Sheep Ranch, fala sobre a voz do medo: "Você precisa ficar intimo com a sua voz na sua cabeça; faça-a sumir quando começa a atrapalhar e a escute quando ela o alerta sobre um acidente que possa vir a ocorrer".

Crie uma base de coragem:
Você deve criar mais confiança através de várias escaladas, assim gradualmente diminuindo o fator medo. Croft diz: "Se eu estou solando alguma via difícil,e porque antes eu já solei muitas vias e na maioria das vezes, o medo não aparece porque lá (na via) é onde eu quero estar".

Jason Smith, que já solou Rostrum's Regular North Face (5.11), concorda, "As pessoas não estão solando qualquer coisa eles não estão absolutamente certos se vão conseguir subir. Não pode haver espaço para o medo".

Concentre-se:
O controle da mente é crucial. McNamara se concentra no imediato: "Eu fico com medo quando eu me desconcentro dos movimentos que tenho que realizar naquele momento e começo a pensar no que pode acontecer, eu posso cair, esse friend não vai segurar e sair, e ai quando paro com esses pensamentos e me concentro novamente nos movimentos daí o medo simplesmente desaparece".

Smith concorda "Na maioria das vezes você está assustado por nenhuma razão em particular".

Arno Ilgner, um grande escalador que dá cursos sobre como lidar com o medo, nos lembra que deve-se olhar objetivamente sobre as situações, se você está com o foco em cima do que deve-se fazer para escalar ou realizar aquele movimento, você terá pouca energia direcionada para ficar com medo.

Fique frio:
As vezes as preocupações são reais. Nestes casos controle sua mente. Croft se mantém positivo: "Enfoque-se em passar um bom tempo escalando em vez de subir praticamente se arrastando. Eu na maioria do tempo me enfoco em ficar relaxado, manter a mente relaxada".

Para Jim Bridwell, que realizou solos e várias conquistas, e o assunto é muito simples: "Não fique fora de si. Não coloque-se como um perdedor antes mesmo de começar."

Ilgner acrescenta: "Como você direciona sua atenção? Certamente você quer pensar ativamente, não lidar com as coisas que possam acontecer passivamente com você. Em vez de se concentrar em como evitar a queda, concentre-se em trabalhar na situação em que você está."

Tenha medo:
O medo pode ser um auxílio, fazendo com que você escale melhor, isto quando for utilizado como combustível em movimentos mais difíceis. Bridwell diz que "O medo somente faz que com que você fique mais ligado e esperto na via. Se você consegue controlar a adrenalina que o medo fornece, o medo começa a fazer que o trabalho fique pronto."

Por Ted Reckas Traduzido por Marcello Pecci

 

Imagine-se naquela situação de aperto: a última costura está longe, você não consegue alcançar a próxima agarra, as pernas começam a tremer... o que está acontecendo no interior do seu corpo neste momento?

PSICOLOGIA DO ESPORTE APLICADA À ESCALADA

Provavelmente os aspectos psicológicos estão influenciando no seu desempenho. Na escalada os fatores psicológicos que estão mais presentes são:

Atenção: um estado dirigido da percepção.
Concentração: capacidade de manter o foco em sinais relevantes.
Persistência (Motivação): insistência em caminhar em direção a um objetivo.
Estado Emocional: sistema de relações entre o sistema psíquico, fisiológico e social.
Estresse: estado de desestabilização entre os aspectos psicológicos e os aspectos fisiológicos, ou entre a pessoa e o meio ambiente.
Ansiedade: sentimentos de tensão, apreensão, nervosismo, medo e preocupação.
Auto-confiança: crença de que você pode realizar com sucesso um comportamento desejado.

Na maioria dos casos estes fatores psicológicos irão exercer uma forte influencia no desempenho de um escalador, seja de maneira positiva ou negativa. Alguns destes fatores irão influenciar positivamente, como persistência e auto confiança, e outros negativamente, como é o caso do estresse ou ansiedade.

Estes fatores psicológicos irão influenciar no desempenho de um atleta ou praticante de escalada, ou outro esporte qualquer, de uma maneira diferente. Por exemplo: para um escalador obter um bom desempenho ele pode necessitar de um estado de concentração alto, direcionando a sua atenção para o próximo lance de uma via, uma agarra "salvadora", etc. Já outro escalador pode possuir um melhor desempenho em situações de descontração, nas quais ele está conversando com o segurança sobre assuntos diversos, ou direcionando sua atenção para um outro fator irrelevante, como um pássaro.

Mas como fazer para controlar esta influencia dos fatores psicológicos no desempenho? Os atletas e equipes de alto nível possuem, na maioria das vezes, um psicólogo do esporte em sua comissão técnica. O que adianta um atleta ser o mais bem preparado fisicamente, se na hora da competição ele acaba "amarelando"? Como nem todos tem condições de contratar um psicólogo para fazer um treinamento psicológico, procure seguir algumas dicas:

1 Antes de começar a escalar uma via procure visualizar os movimentos que irá realizar durante a subida, se imaginando em cada lance e como pode superá-lo. Quando iniciar a subida, você terá uma maior probabilidade de encontrar uma solução mais rapidamente para um lance mais difícil.

2 Procure se concentrar antes de iniciar uma escalada. Como a maioria das áreas hoje em dia são freqüentadas por um grande número de pessoas, o ambiente se torna um pouco barulhento e as vezes estressante. Se concentre o máximo no que está fazendo, tentando ignorar estímulos externos, como um monte de gente falando onde você tem que colocar o pé ou a mão. Mantenha a sua atenção fixa no seu objetivo, seja a próxima agarra ou o fim da via.

3 Mesmo em momentos de maior dificuldade, procure se manter calmo e concentrado; tente por exemplo, respirar fundo duas ou três vezes, isto será suficiente para diminuir um pouco a ansiedade, reduzindo a freqüência cardíaca. Você verá que quanto mais calmo estiver mais fácil será sair de uma situação difícil.

4 Confie mais em si mesmo. Tente ter mais confiança nas suas capacidades físicas e técnicas. As vezes não é tão difícil como parece: "Mas essa via é um 8A e eu nunca escalei mais que um 7B!". Como já dizia um velho ditado: "Aprendemos mais na nossa vida com os fracassos do que com os sucessos". E isto é a mais pura verdade, se você nunca tentar uma via de 8º grau como vai saber se consegue escalá-la? Confie em si próprio e vá em frente! Afinal, que graça teria a escalada se toda vez que tentássemos uma via nova conseguíssemos encadená-la? E as "vacas", a adrenalina lá no alto e os "perrengues"? Onde estariam?

5 Procure deixar os problemas da cidade lá mesmo, onde eles foram criados. Se esforce para manter o verdadeiro espirito da escalada: a liberdade. Pode ser difícil, mas experimente esquecer daquele cheque que vai estourar a sua conta no dia seguinte, e vivencie o mais intensamente possível os momentos de contato com a rocha e com a natureza. Você perceberá que vai ser muito mais prazeroso praticar a escalada despreocupado. Depois você pensa no cheque.

Fonte: Montanhas do Rio - Por Christian Anderson N. Costa

 

"É bom estar plenamente concentrado tentando uma via difícil. Estes momentos são tão puros; não há separação e não há nada a pensar ou entender, pois está tudo exatamente ali. O aqui, o presente, o momento. Tudo!" Cris Sharma

ESCALADA NO AQUI AGORA, MOMENTO A MOMENTO

O que acontece com a mente durante uma escalada que realmente flui? São dias nos quais não percebemos o tempo passar, os sentidos tornam-se aguçados e parecem captar, com força, a realidade e a vida se mostra mais intensa. Já aconteceu algo semelhante com você?
O que, de repente, nos faz sentir mais vivos, mais intensos e até mais lúcidos? Ou seria melhor dizer mais insanos? Será exagero dizer que um lance ou uma escalada nos pareceu realmente alucinante?

Ora, uma das metas das psicoterapias humanista-existencialistas é que o cliente ou paciente consiga viver, pelo menos em alguns momentos, inteiramente no momento presente. Se este ser humano é capaz de viver responsavelmente no aqui-agora, consideramos que a terapia está sendo exitosa. Nestes raros momentos a mente penetra numa realidade mais profunda da existência. Os problemas, as dores e os tormentos que levavam a pessoa a estar presa em seu passado são liberados. O anseio pelos acontecimentos que virão e o medo do que acontecerá no futuro são temporariamente suspensos. Nada mais existe senão aquilo que está acontecendo neste exato momento. Nada mais desejo ser do que aquilo que sou. Não há intensidade maior em toda a existência que a intensidade deste instante.

Também não é à toa que, no Budismo, Yôga e outras tradições milenares, a importância da vivência do momento presente é tão enfatizada.

É interessante ressaltar, contudo, que não se trata de uma vivência irresponsável e egoísta, como muitos de nós na escalada experimentamos. Segundo Ken Wilber, um dos principais teóricos da psicologia transpessoal, o viver pleno no presente também é a manifestação da consciência amplamente expandida que contempla sensivelmente a biosfera (contexto ecológico) e a noosfera (fatores mentais coletivos ou sociais).

Psicólogos e psiquiatras humanista-existencialistas e também psicanalistas, como Frederik Perls, Rollo May, Eric Fromm e Carl Rogers, beberam nas fontes das tradições orientais e através de sua pesquisa e experiência clínica posteriores confirmaram sua importância.

Também é consenso entre psicólogos de várias correntes que os momentos que mais guardamos na memória são os emocionalmente mais intensos de nossas vidas. É, portanto, exatamente nesta intensidade que reside a sensação plena de viver agora.

Perguntamo-nos, então, por que muitos de nós não somos capazes de viver isto? Por que muitos dos que buscam terapia não conseguem viver no presente? Por que muitos de nós, escaladores, sentimo-nos, mesmo na parede e em nossa prática desta atividade, tão distantes desta sensação?

Freud dizia que os indivíduos mais evoluídos psicologicamente e saudáveis não passavam de "bons neuróticos", sendo uma das características do indivíduo neurótico a incapacidade de viver no presente. Estes estariam sempre oscilando entre o que já foi e o que virá. Ao contrário dos neuróticos graves que são tragados por "demônios" do passado, ou têm pânico, pavor de algo no futuro. Neuróticos saudáveis estariam um pouco mais "centrados" no presente, podendo usufruir da vida com um mínimo de conforto emocional, embora confinados a nunca estar efetivamente na "realidade", e sim em uma oscilação mental entre passado e futuro.

O que muitos de nós não se dão conta, é que, em uma escalada, sobretudo nos defrontamos diretamente com a nossa mente. Lançamo-nos em um desafio de torná-la mais saudável, ou seja, "forçamos" o nosso psiquismo a viver mais no aqui-agora.

Para viver neste presente sagrado que a montanha nos oferece, seremos sempre forçados a rever o nosso velho companheiro medo, a nossa vaidade, o nosso caráter, a nossa auto-estima baixa ou elevada, a nossa noção da realidade. Acredito que, se estivermos atentos a isto, podemos aliar a nossa escalada a metodologias de "treinamento mental", tais como a prática do Yôga, da meditação, da psicoterapia, para citar algumas, de forma que nossa construção física esteja acompanhada e reforçada pelo nosso desenvolvimento psicológico.

Parece-me que, ao negligenciarmos, como escaladores, esta realidade psicológica, os aspectos cognitivos e emocionais representarão um eterno peso, quase como um lastro que dificulta o nosso corpo físico a se elevar em direção a um maior desempenho na escalada.

Finalmente, ao nos movimentarmos sobre a rocha, nos é oferecido, de forma mais ou menos consciente, a oportunidade de encontro com a vida em sua mais pura intensidade, o aqui-agora, o eterno presente. Neste momento experimentamos a simples sensação de estar vivo, no corpo, com a rocha, com o vento e a respiração. Escutamos no ambiente da montanha: "Que lance insano!", "Alucinante!". Quem sabe não temos justamente, nestes lances, a oportunidade de viver mais próximos da realidade, mais lúcidos, aqui-agora, momento a momento?

"... a escalada é minha forma de rezar, porque se eu escalo estou tão concentrado naquilo, que me torno vazio e aberto a novas experiências." Reinhold Messner

Fonte: Associação Gaúcha de Montanhismo - Por Guilherme Zavaschi

   

 

 

 

 

 

 

   
   
 

 

 

 

 

 

 

 

 

   
   
 

 

 

 

 
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